Conheça um roteiro de moto pela cidade histórica de Tiradentes e seus arredores

Por Aldo Tizzani

24 jul, 2018
Tiradentes de moto
Tiradentes possui um dos conjuntos arquitetônicos mais preservados entre as cidades históricas brasileiras | Mario Villaescusa

Protegida pela Serra de São José, Tiradentes é um dos principais destinos de turismo em Minas Gerais e também do Brasil. Isso em função de sua diversidade, mix de história, cultura, natureza exuberante e uma fabulosa gastronomia.

Seja no inverno ou no verão, a cidade – berço da Inconfidência Mineira – é um “prato-cheio” para qualquer motociclista aventureiro. Além da localização e clima, há outros atrativos que podem fazer Tiradentes ferver de gente: o Bike Fest, tradicional encontro de motociclistas acontece em junho; o Festival Gastronômico, em agosto; e o de Cinema, em janeiro. Convém reservar o hotel com antecedência.

Tiradentes é um “prato-cheio” para qualquer motociclista aventureiro | Mario Villaescusa

Fundada em 1702, Tiradentes foi tombada como Patrimônio Histórico Nacional em 1938 pelo IPHAN – Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, já que ostenta um dos conjuntos arquitetônicos mais preservados entre as cidades históricas brasileiras. Lá é possível conferir a imponência de suas belas igrejas e toda a riqueza da arquitetura colonial.

Não há sensação melhor que rodar por suas ruas com calçamento “pé-de-moleque” (pedras irregulares), que ditam o ritmo do passeio – seja ele a pé ou de moto – pelas ladeiras da cidade.

Tiradentes foi tombada como Patrimônio Histórico Nacional pelo IPHAN | Mario Villaescusa

Para quem quiser saber mais sobre a nobre arte centenária da produção de cachaça é preciso ir até Coronel Xavier Chaves, município a 22 quilômetros de distância, e conhecer o engenho de cana mais antigo do país. Com mais de 250 anos na produção de uma das melhores cachaças do Brasil, o Engenho Boa Vista pertenceu ao irmão mais velho de Tiradentes, Domingos da Silva Xavier.

Coronel Xavier Chaves fica a 22 km de Tiradentes | Mario Villaescusa
Engenho Boa Vista, em Coronel Xavier Chaves: o mais antigo do Brasil | Mario Villaescusa

 

Fartura de sabores em Tiradentes

Se na volta do passeio a fome apertar, cometa o ‘pecado da gula’ sem peso na consciência. A tradicional comida mineira é saborosa e farta. Não deixe de experimentar o “Tutu de Feijão” do Bar do Celso, que fica no Largo das Forras, no centro. Bem servido, o prato acompanha couve, linguiça, lombo, costela de porco e aquele arroz com leve sabor de alho, bem suave. Além do tutu, é claro!

“Tutu de Feijão” do Bar do Celso: típica comida mineira | Mario Villaescusa

Se quiser desbravar ainda mais a região dê uma esticada até Bichinho, distrito de Prados, município vizinho ao de Tiradentes. Motivos não faltam: mais comida e artesanato bem diversificado – móveis feitos com madeira de demolição, biscuit, gesso, couro, joias, em ferro, crochê, tapetes.

O deslocamento entre Tiradentes e Bichinho é bem tranquilo, dá para chegar com qualquer tipo de moto: da popular Honda CG, passando pela bigtrail BMW R 1200 GS ou ir até com uma luxuosa Harley-Davidson. Minha escolha foi a CB 500X, modelo mais aventureiro da linha Honda. Bichinho fica a apenas a oito quilômetros do centro histórico de Tiradentes. O trecho é 100% pavimentado. Um belo caminho de pedra em meio a natureza.

Distrito de Bichinho fica a 8km do centro histórico de Tiradentes | Mario Villaescusa

Quer uma boa e saborosa experiência gastronômica, então almoce no Tempero da Ângela, em Bichinho. Comida no fogão a lenha, pratos na cristaleira e talheres nas gavetas como se você estivesse se servindo na casa da tia. O restaurante tem um toque prá lá de especial, traduzido por aquele “tempero de mãe” que fica no ar – alho e cebola sendo fritos na hora para mais uma panela de arroz. Ou seja, a comida é de ‘lamber os beiços’.

Não deixe de experimentar os doces caseiros (doce de leite ou frutas em calda) e tomar um encorpado café na xícara de ágata. Nos finais de semana, feriados prolongados e férias, o restaurante está sempre lotado. Por isso paciência. A experiência vai valer a pena!

Restaurante Tempero da Ângela, em Bichinho: comida no fogão a lenha da melhor qualidade | Mario Villaescusa

À noite o programa é circular pelo centro da cidade e tentar desvendar todos os segredos de Tiradentes. Comece pelo Largo das Forras e depois suba e desça algumas ladeiras em buscas dos melhores bares e restaurantes que trazem comidas de boteco. Conheça o Tragaluz, que oferece o melhor da cozinha mineira, servida à luz de velas em requintada casa colonial. Outra boa dica é o Mandalum.

Entre as boas pedidas estão bolinho de feijão (muito parecido com a massa do acarajé) e a tradicional linguiça servida com mandioca frita. Já que a moto ficou no hotel, nada melhor saborear estes petiscos acompanhados por uma cerveja bem gelada. Nunca esqueça: se beber, não pilote! “Álcool” só no tanque da moto.

 

Museus em Tiradentes reúnem motos e autos históricos

Agora se boa comida e estradas que serpenteiam os arredores de Tiradentes não forem suficientes, não deixe de conhecer o Museu do Automóvel da Estrada Real, que fica no caminho de Bichinho. O lugar abre apenas de quinta a domingo e possui um acervo interessante, com belos carros distribuídos em um ambiente vintage.

Já o Museu da Moto de Tiradentes conta com um acervo particular de quase 100 modelos. Há réplicas, modelos históricos, militares, agrícolas, vespas e lambretas.

Montado em um casario que fica a 300 metros da estação ferroviária, ponto turístico da cidade, o museu tem sete cômodos que somam 360 metros quadrados de área e cria toda uma atmosfera saudosista. Além das motos, o espaço traz miniaturas, peças, placas e utensílios em formato de motos.

Modelo Triumph Thunderbird 650, de 1950, em exposição no Museu da Moto | Divulgação
FN: modelo Belga de 1909 com side car de vime e eixo-cardã | Divulgação
Moto russa Ural, de 1972, no Museu da Moto de Tiradentes | Divulgação

Para comemorar o “Dia do Motociclista”, comemorado em 27 de julho, o museu criou uma programação especial com missa de Ação de Graças e passeio pelas principais ruas de São João del-Rei e Tiradentes.

O museu fica perto da estação de trem. É dali que parte um inesquecível passeio de 40 minutos a bordo da centenária Maria-Fumaça até São João del-Rei, outro programa bem bacana para quem visita a região. Quem tiver pique ainda e gostar de um banho de cachoeira deve aproveitar as várias opções, como as cachoeiras Paulo André, Bom Despacho ou do Mangue.

 

Como chegar

Tiradentes está a 490 km de São Paulo com acesso pela Fernão Dias até Lavras (MG) e de lá seguir pela BR-265. Do Rio de Janeiro, são 330km pela BR-040 até Barbacena, depois acessar a BR-265. De Belo Horizonte, são 190km pela BR-040, e depois a BR-383.

 

Onde ficar

Santíssimo Resort – no centro de Tiradentes.
Pousada Pequena Tiradentes – próximo à estação ferroviária.
Oratório Pousada Boutique – no bairro Alto da Torre.
Hotel Serra Vista – próximo ao Museu da Moto.

 

Onde comer

Bar do Celso  – comida típica mineira.
Estalagem do Sabor – comida típica mineira.
Ora Pro Nobis – comida mineira e internacional.
Tragaluz – comida mineira e internacional.
Mandalun – comida típica mineira (rua Silvio Vasconcelos, 137).
Tempero da Ângela – pratos típicos servidos no fogão a lenha (rua Dep. José Bonifácio, 64, em Bichinho).

 

O que fazer: passeios em Tiradentes

Passeio de Maria-Fumaça até São João del-Rei.
Cavalgada de 6km até Bichinho (duração de 2 horas).
Caminhada pela Serra de São José (duração de 5 horas).
Visitar a Cachoeira do Mangue (40 minutos de caminhada).
Rapel na encosta da Gruta Casa de Pedra.
Cicloturismo na Cachoeira Paulo André.
Off-road trilha leve, no tempo seco, via Passo dos Fundadores, com 12km de extensão.

(*) Para os passeios off road e caminhadas, é recomendável o acompanhamento de um guia.

 

Aldo Tizzani é jornalista do MinutoMotor e especializado em mototurismo. Forjado na estrada da vida já rodou por quase todo o Brasil e em vários outros países. Em 2016 organizou a Expedição CG 40 anos – Quilômetros de Histórias: em 28 percorreu de Manaus (AM) a São Paulo (SP) em um trajeto de 7.000 km mostrando como a motocicleta ajudou a melhorar a vida das pessoas. A ação virou documentário.

 

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