Nova York: um roteiro de um dia pelas atrações do moderno bairro de Chelsea

Por Marcelo Sodré

28 maio, 2018
Chelsea - Nova York
Vista da varanda do Museu Whitney: High Line e e rio Hudson ao fundo | Denise Mustafa

Sol, mas frio, zero grau para ser mais exato. A primavera que havia sido prometida ainda não tinha chegado e o vento tornava o passeio um pouco mais complicado. Dizem que São Paulo tem um clima louco, bipolar, Nova York também é assim. No mesmo dia, a roupa pode mudar de bermuda até jaqueta de neve. Nosso fim de tarde era pra casaco.

Como todos os dias, durante a viagem, saímos do Upper East Side de metrô – a essa altura já sabíamos que para chegar ao Chelsea, tínhamos que pegar o trem G sentido Brooklin. Parece fácil, mas somente ao chegar pela primeira vez em uma estação de metrô da cidade é que se entende o nível de complexidade do sistema: são muitos trens, opções locais ou expressas (que não param em todas as estações) e, para dificultar, é preciso ter o mapa da cidade na cabeça, saber que o Harlem e o Queens ficam ao norte, Brooklin e Coney Island ao sul e que, no meio do caminho, fica o Chelsea.

 

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Chelsea era um dos bairros mais esperados no nosso roteiro – principalmente pela atmosfera narrada pela cantora Patti Smith em seu livro “Só Garotos”. Patti foi moradora no Chelsea Hotel, bem como Jimi Hendrix, Sid Vicious e Tom Waits, para ficarmos apenas no universo da música.

Chelsea - Nova York
Estação de metrô Chelsea, em Nova York | Marcelo Sodré
Chelsea - Nova York
Fachada em obras do histórico Chelsea Hotel, em Nova York | Marcelo Sodré

Nas paredes externas há algumas placas oficiais em homenagem às grandes celebridades que viveram lá em seus dias antes da fama, e pichações lembrando os malditos roqueiros que pelo visto não eram tão bem vindos assim.

Se o hotel estava fechado e com tapumes de reforma na fachada, a lojinha de guitarras no térreo dava o clima. Por ali desde os idos dos anos 70, o local ainda tem raridades de todos os tipos e modelos, que cheiravam a mofo mas valem uma fortuna. E a visita, claro!

Chelsea - Nova York
Placa do Chelsea Hotel, em Nova York | Marcelo Sodré
Chelsea - Nova York
Loja de guitarras antigas no térreo do Chelsea Hotel | Denise Mustafa

Visita ao Whitney Museum, no Chelsea

Nesse mesmo bairro, tínhamos o nosso objetivo principal do dia, o Whitney Museum of American Art, a maior coleção de arte americana do país.

Sabíamos mais ou menos a direção que deveríamos tomar ao sair do Chelsea Hotel, descemos um pouco ao sul na Oitava Avenida e viramos a oeste para chegarmos às margens do rio Hudson, que até agora não tínhamos visto, para novamente virarmos em sentido sul. Mais cedo ou mais tarde encontraríamos o museu.

Chelsea - Nova York
Museu Whitney, no Chelsea | Marcelo Sodré

Não é nem de longe um passeio agradável sob o ponto de vista turístico, mas é curioso saber que a cidade também tem seus defeitos urbanísticos, ainda que estejam sendo solucionados ou realocados. O museu fica no antigo Meatpacking District (área de embalagem de carnes), um entreposto comercial com vários galpões e que a maioria deles parecem desativados. A margem do rio foi aproveitada para a construção de uma via expressa, tornando o local bastante inóspito e árido, habitado por máquinas, caminhões e automóveis fumacentos e barulhentos.

Avistamos uma construção que achávamos que poderia ser o museu, mais pela altura do que pela arquitetura. E era. O museu foi projetado pelo controverso italiano Renzo Piano, o mesmo do Centro Pompidou, em Paris. Porém, ao contrário do parisiense, o Whitney é todo fechado, mais parece uma tumba desconstruída em sua fachada oeste. Dá pra dizer que ele realmente respeitou o entorno. A impressão logo passa quando entramos no prédio através das portas de vidro e nos deparamos com o grande átrio, todo branco, minimalista no entanto agradável e convidativo ao olhar.

Sacamos nossos City Passes e seguimos ao balcão de venda de tickets que estava bem tranquilo, sem fila nenhuma. Fomos recebidos por uma simpática atendente que nos perguntou de onde éramos e nos ofereceu um guia em português e sugeriu que nosso tour se iniciasse pelo último andar.

A primeira coisa que se avista ao chegar ao último piso são grandes janelas, onde se aprecia a vista para o rio Hudson e o tímido skyline de New Jersey. Talvez, sem querer, o arquiteto nos mostra a cidade, os EUA, não aquele dos cartões postais, mas o que ninguém quer ver, dando assim uma prévia das obras que viriam a seguir.

Chelsea - Nova York
High Line, o jardim suspenso de Nova York, visto do Museu Whitney | Denise Mustafa
Chelsea - Nova York
A varanda do Museu Whitney | Denise Mustafa
Chelsea - Nova York
Parte da cidade vista da varanda do Museu Whitney | Denise Mustafa

 

A primeira coisa que vimos foi a exposição An Incomplete History of Protest (em cartaz até 27/08/2018), uma mostra organizada por temas que explica através das obras um pouco da história americana e seus dilemas: a guerra, o preconceito e a ideia de liberdade.

De um andar para o outro, é possível ir de elevador, pelas escadas de emergência ou aproveitar a vista e descer pelas escadas externas que ficam nas varandas de cada andar. Apesar do frio e do vento encaramos a varanda, para nossa surpresa o High Line estava logo ali, ao lado do museu. Não sou o tipo de turista que gosta de planejar tudo e elaborar rotas, economizar tempo. Gosto de me perder no caminho e sempre acabo vendo tudo o que queria e outras tantas que nem imaginava existir. Esse foi mais um caso desses.

Chelsea - Nova York
Mostra “An Incomplete History of Protest”: em cartaz até agosto de 2018 Museu Whitney | Marcelo Sodré
Chelsea - Nova York
Museu Whitney | Marcelo Sodré
Chelsea - Nova York
Museu Whitney tem a maior coleção de arte americana do país | Denise Mustafa

Continuando pelo museu, entramos numa área com a exposição de Grant Wood, artista americano dos anos 1930. Pinturas realistas de situações cotidianas do interior dos Estados Unidos lembram o começo do filme “O Mágico de Oz”. Em cartaz até 10 de junho de 2018.

Por último, uma seleção de fotos de Harold Edgerton. Não o conhecia, assim como grande parte dos artistas expostos no museu, mas nesse caso continuei sem conhecê-lo. Passamos os olhos rapidamente e fomos embora.

Na calçada do museu havia dois artistas vendendo suas obras. Tinham um estilo parecido, peças que lembram grafites de rua e colagens abstratas.

Cansados e com frio, decidimos voltar para nosso cantinho no Upper East Side e nos prepararmos para a noite que obviamente ainda não estava planejada, mas que foi bastante surpreendente e que fica para um próximo relato.

Ah!! Alí do lado também tem o Chelsea Market. Um shopping center hipster ovolactovegetariano com muita variedade de restaurantes, lojas de decoração, um supermercado italiano e um stand center de produtos descolados: discos de vinil, hidratante para barba, cartazes bem humorados, calçados veganos e outros tantos ítens locais. Vale a visita!

E se você tem uma grande lista de atrações turísticas para ver em Nova York, connheça o Sightseeing Pass : são 90 atrações credenciadas e, com ele, você pode economizar mais de 200 dólares nas entradas.

 

Serviço:

Whitney Museum of American Art
Fechado às terças-feiras.
Ingressos: U$ 25 adulto, U$ 18 idosos e estudantes, entrada gratuita para menores de 18 anos.
Endereço: 99 Gansevoort Street
New York, NY 10014
(212) 570-3600

 

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