Sr. Salloum: o palestino apaixonado pelo futebol brasileiro

21 fev, 2017
Petra - Personagens Incríveis
Sr. Salloum: das boas descobertas do Líbano | foto: Filipe Pacheco

Sidon, ou Saïda, em árabe, é um cidade ao sul de Beirute, no Líbano, que tem um ar místico típico das cidades do Oriente Médio. É habitada desde a época dos fenícios, conhecidos por terem inventado a escrita. No meio do labirinto de corredores que formam o seu centro antigo está o Café do Sr. Salloum. Ele não é libanês, apesar de estar no país há décadas. É palestino, e escolheu o país vizinho para viver e montar o seu cantinho.

O brasileiro que resolver puxar uma cadeira e assistir aquele cenário por alguns bons minutos verá em volta senhoras com as cabeças cobertas com véus dividindo a praça com crianças chutando bola em meio a cachorros soltos, jovens andando de moto, meninas paquerando os jovens discretamente — tudo bem juntinho.

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Foto da família de Salloum em frente à mesquita de Al Aqsa, em Jerusalém, na parede do café | Filipe Pacheco

 

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Imagens de alguns dos cantores mais tradicionais do mundo árabe, incluindo a egípcia Oum Kalthoum, fazem parte da decoração | Filipe Pacheco

Café, narghilé e futebol

De vez em quando a eletricidade acaba, mas tudo continua acontecendo. Os minaretes da região tocam de tempos em tempos chamado os locais para as rezas. Aí sim você passa a ter certeza que entrou no cenário de um filme de Nadine Labaki, a belíssima diretora libanesa que encanta o mundo.

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Sr. Salloum é um simpático torcedor da seleção brasileira | Filipe Pacheco

O Sr. Salloum serve, entre várias outras coisas, café e narghilé, de preferência juntos. Quando ele soube que havia um brasileiro na mesa, abriu um sorriso largo. Disse que sofreu muito com a fatídica partida dos 7×1 em Belo Horizonte — ele tinha coberto todo o espaço com bandeiras verde e amarela para a Copa.

Desde a década de 80 o Brasil é o seu país do coração quando o assunto é futebol (já que a Palestina raramente participa de torneios internacionais.) Contou que chegou a ficar sem falar com o irmão em 2014, porque ele insistia em torcer pelos alemães. Sofreu com a derrota, disse que ficou com o coração apertado. Mas que não vai deixar de torcer pelo Brasil.

Mais um personagem incrível em um lugar deliciosamente simples e encantador.

 

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Fotos: Filipe Pacheco. Jornalista de economia de coração eternamente paulistano, mora em Dubai, adora viajar, fotografar e conversar com os amigos que faz em durante seus roteiros incríveis. Veja mais fotos dele: instagram.com/fihpacheco

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