Ilhas Marquesas surpreendem pela cultura, tradição e natureza exuberante

Por Ethel de Paula

10 jan, 2018
Tahuata: uma das 12 ilhas que compõem as Marquesas | TAHITI TOURISME

Cravadas no ponto selvagem da Polinésia Francesa, as Ilhas Marquesas guardam 1.500 km de distância a nordeste da ilha Tahiti, derramando-se ao longo de 12 ilhas, das quais apenas seis são habitadas – Nuku Hiva, Ua Pou, Ua Huka, Hiva Oa, Tahuata e Fatu Hiva. Entre ocre e negra, é justamente o relevo de formação vulcânica que dá às Marquesas um ar de paraíso perdido, inexplorado, intacto.

Entre picos montanhosos agudos e falésias iminentes, as Marquesas reúnem cenários de natureza agreste com incríveis encostas no meio do Oceano Pacífico.

As costas das Marquesas são uma mistura de praias de areia preta e baías abraçadas por uma exuberante floresta tropical, onde cavalos selvagens, cabras e javalis ainda encontram refúgio. A cachoeira Hakaui, a maior de todas as ilhas, também está lá – assim como os instigantes sítios arqueológicos de Hiva Ao como me’ae, em Puama’u, que ostenta a maior estátua tiki das Ilhas de Tahiti.

Nuku Hiva, uma das muitas belezas das Ilhas Marquesas | TAHITI TOURISME
Sítio arqueológico em Hiva Ao, nas Ilhas Marquesas | TAHITI TOURISME

 

Ilhas Marquesas oferecem inúmeros atrativos aos visitantes

Histórias, lendas, magia, natureza. São muitas as portas de entrada para o viajante que sempre sonhou em se perder numa ilha deserta e paradisíaca. Seja caminhando, cavalgando ou usando um veículo com tração nas quatro rodas, as paisagens imaculadas cortadas por cascatas, picos e rios convidam ao êxtase. E repercutem em quem mora no lugar como a mais pura fonte de inspiração. Não à toa, os marquesanos estão entre os melhores artesãos de todas as Ilhas de Tahiti. E é em Tahuata, outra pequena ilha paradisíaca, que os mestres-especialistas do artesanato local podem ser encontrados.

Nuku Hiva, a maior das Ilhas Marquesas, e seus picos vulcânicos | TAHITI TOURISME
Hiva Oa: ilha também é perfeita para cavalgadas | TAHITI TOURISME

Hiva Oa: a ilha de Gauguin e Brel

A região foi imortalizada pelo cantor e compositor belga Jacques Brel, na canção “Les Marquises”, feita na e para as Ilhas Marquesas. Foi naquelas ilhas isoladas onde escolheu morar, em 1975, o autor da internacionalmente conhecida “Ne me quitte pas”.

Com o pintor francês Paul Gauguin o fascínio pelas Marquesas foi ainda maior. Ele passou a viver em Hiva Oa a partir de 1901. Influenciado pelo ambiente tropical e pela cultura polinésia realizou esculturas sobre madeira e pintou alguns dos mais famosos de seus quadros, onde retrata lendas e tradições do lugar. Daí que é obrigatória a visita à réplica da “Maison du Jouir”, de Gauguin, além do pequeno museu dedicado ao pintor. Profundamente identificado com as Ilhas de Tahiti, Gauguin foi sepultado no cemitério Calvaire, nas Marquesas.

Centro Cultural , em Hiva Oa, nas Ilhas Marquesas | TAHITI TOURISME

 

Tatuagem tem grande significado cultural nas Ilhas Marquesas

Comum em toda a Polinésia Francesa, a prática da tatuagem atinge seu ápice nas Ilhas Marquesas. Ali, desde os primórdios, os homens eram totalmente tatuados, da cabeça aos pés, exibindo práticas e instrumentos de guerra. Hoje, os motivos típicos dessa região são copiados no mundo inteiro.

Não à toa, a origem do termo tatuagem é creditada justo às línguas polinésias, onde a prática de aplicação subcutânea de pigmentos utilizada para desenhar sobre a superfície dos corpos conquistou os mais primitivos nativos: “tatau”, que pode ser traduzido como “bater repetidamente”, nada mais é do que a representação do som que vinha dos ossos finos e pontiagudos que marcavam a pele.

Ilhas Marquesas - Tahiti
Nas Ilhas Marquesas, a tatuagem tem grande significado cultural | TAHITI TOURISME

Nas Ilhas Marquesas, a maioria dos habitantes é tatuada. No corpo, o que cada um traz inscrito diz sobre suas memórias, seus modos de vida, seus códigos de convivência. Tatuagem, portanto, remete a algo íntimo e do campo do simbólico. Daí porque não deve ser exibida gratuitamente ou simplesmente encarada como adorno.

Conhecida na Polinésia como “linguagem dos antigos”, a tatuagem foi vista e perpetuada ao longo dos tempos tanto como proteção contra os maus espíritos como forma de identificação de status numa sociedade hierárquica. Ao completar 12 anos, os jovens em festa deveriam mostrar suas tatuagens como prova de seu aprendizado, antes de serem plenamente aceitos no clã dos adultos e reconhecidos como homens pela comunidade.

Inteiramente tatuados, os homens das Ilhas Marquesas não poupam sequer as pálpebras e a língua, assim como costumam raspar a cabeça para tatuá-la. Entre as mulheres, tatuar as mãos e as fronteiras dos lábios é mais uma prática que nunca caiu em desuso. Conta a lenda, inclusive, que a mão da jovem que não exibisse uma tatuagem era proibida de preparar alimentos e de comer na mesma vasilha dos outros membros da família. E o mesmo pré-requisito era exigido para ungir os mortos com óleo de coco.

Espirais retangulares. Ziguezagues paralelos. Do ponto de vista estético, o intrincado bordado que se vê tatuado nos corpos dos habitantes das Ilhas Marquesas é considerado o que há de mais complexo e rico em todas as Ilhas de Tahiti. Isso porque esse conjunto de ilhas soube proteger antigas tradições justamente na esteira do próprio isolamento.

 

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