Conheça um roteiro pela rota do vinho na Toscana

Por Clarissa Mattos 

7 out, 2014
CLARISSA MATTOS/BAIANDESA
Bela região da Itália é famosa pela produção de vinhos | Clarissa Mattos/Bailandesa
Bela região da Itália é famosa pela produção de vinhos | Clarissa Mattos/Bailandesa


A Toscana é um dos destinos mais visitados da Itália e a região do Chianti é a Toscana em seu melhor. Passei quatro semanas na região e deixei-me perder nas suas sinuosas estradas e dramáticas paisagens. Posso dizer que vivi a Itália que habita os sonhos de muitas pessoas.

Tive tempo de me aventurar nas estradas vicinais e penetrar nos segredos da Toscana, mas a rota mais famosa do Chianti é a estrada SS222, também chamada de Via Chiantigana. Ela liga Siena à Florença, cruzando o coração da zona vinícola.

Paisagens da Toscana | Clarissa Mattos/Bailandesa
Paisagens da Toscana | Clarissa Mattos/Bailandesa

 

 

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Ficamos nas redondezas de Certaldo e amanhecíamos vendo as torres de San Gimignano, entre as colinas e os ciprestes. Decidimos seguir a rota da vinho sem pressa e sem obrigações, seguindo o lema da “la dolce vitta” italiana.

San Gimignano é uma cidade medieval conhecida por suas torres | Clarissa Mattos/Bailandesa
San Gimignano é uma cidade medieval conhecida por suas torres | Clarissa Mattos/Bailandesa

Castellina de Chianti

Partindo de Certaldo, seguimos de carro, para Castellina de Chianti, uma perfeita vila medieval, orgulhosa representante da “Lega del Chianti”. São diversas enotecas pela cidade, mas um bom local para compra de vinhos e azeites de oliva é Bottega del Vino Galo Nero. Galo Nero ou Galo Negro é umas das mais respeitados produtores do Chianti.

Zona do Chianti Classico fica entre as cidades de Florença e Siena | Clarissa Mattos/Bailandesa
Zona do Chianti Classico fica entre as cidades de Florença e Siena | Clarissa Mattos/Bailandesa

A lenda do Galo Negro

Segunda a lenda, Florença e Siena disputavam território. Foi proposta uma corrida, onde um cavaleiro de cada cidade sairia em cavalgada em direção à outra cidade, no alvorecer, assim que o galo cantasse. O galo escolhido por Siena foi um belo e bem fornido animal. Em Florença, escolheram um galo magrelo e faminto. O galo de Florença, morrendo de fome, berrou mais cedo e, assim, o cavaleiro florentino, começou com vantagem e Florença ficou um território maior. Dizem que essa disputa deu origem à representação do Galo Negro.

Cenários românticos da rota do vinho na Toscana | Clarissa Mattos/Bailandesa
Cenários românticos da rota do vinho na Toscana | Clarissa Mattos/Bailandesa

Radda in Chianti

Seguindo pela SS429, em apenas 10 km de pura poesia em paisagem, entramos em Radha in Chianti. Conselho: dispense a parte moderna da cidade e parta para o centro histórico e medieval. Recomendo uma parada na La Bottega de Giovannino. O tempo estava perfeito, por isso aproveitamos o pequenino terraço para saborear um vinho Brunello e um “assortimento de bruschettas”. Isso deu uma super energia para a próxima parada.

Badia a Coltibuono

Deixamos Radha in Chianti para trás e seguimos as curvas cênicas do Monti del Chianti, depois de 2 ou 3 km, seguimos à esquerda para a Badia a Coltibuono – ou Abadia da Boa Colheita, datada do século XI. Essa é a abadia dos monges Beneditinos da Ordem de Vallombrosa. Eles foram obrigados a deixar a Abadia no século XIX, quando Napoleão dominou a Toscana.

Badia a Coltibuono | Clarissa Mattos/Bailandesa
Badia a Coltibuono | Clarissa Mattos/Bailandesa

A tradição vinícola foi mantida pelos novos proprietários e hoje existe uma hospedagem B&B (bed & breakfast) e um restaurante. A simplicidade e atmosfera de refúgio da Abadia foram preservadas. A sofisticação se revela na qualidade dos pratos. Não achei os preços estratosféricos como esperava.

Cenários da Badia a Coltibuono | Clarissa Mattos/Bailandesa
Cenários da Badia a Coltibuono | Clarissa Mattos/Bailandesa


Gaiole in Chianti e Castello di Brolio

Ao sul da Abadia, pegamos a estrada SS408 e seguimos para Gaiole in Chianti. Essa foi a dica que recebi de um bom lugar para comprar vinhos. Acontece que nem conseguimos chegar ao centro. Havia um evento automobilístico e tivemos que deixar a cidade e os vinhos pra depois.

O próximo ponto da nossa rota foi o Castello di Brolio, 5 km ao sul de Gaiole, pegando a estrada SS484. Uma linda avenida de ciprestes nos leva ao imponente castelo da família Ricasoli. Enquanto aguardávamos pelo tour guiado, perdíamos os fôlego com a vista das colinas de Chianti e do Vale Arbia. Claro que a família também produz vinhos, que podem ser comprados na cantina do local.

Torre do Castello di Brolio | Clarissa Mattos/Bailandesa
Torre do Castello di Brolio | Clarissa Mattos/Bailandesa

Ao visitar a torre, conhecemos a impressionante história do Barão que se entrelaça com a história do próprio vinho Chianti. Segundo o guia, o barão ainda arrasta suas correntes pelo castelo. Ele nos garantiu que não fica sozinho na torre do castelo.

San Gusme: a foto perfeita

Corremos das histórias de fantasmas, seguimos pela SS484 e chegamos à vila de San Gusme, onde encontrei a minha foto perfeita. Aquela que a cada colina procurava. A partir daqui, seguimos em busca de cenários perfeitos e entre as montanhas e colinas, suspirávamos a cada curva. Voltamos ao anoitecer e o por do sol nos proporcionou o final perfeito de um longo dia sobre o sol da Toscana.

Vila de San Gusme: paisagem que traduz toda a beleza da Toscana | Clarissa Mattos/Bailandesa
Vila de San Gusme: paisagem que traduz toda a beleza da Toscana | Clarissa Mattos/Bailandesa


Clarissa Mattos é uma baiana que atravessou o Oceano Atlântico não a nado, mas por amor. No blog Bailandesa, narra as dores e delícias da vida na Holanda, dá dicas de turismo e de cultura

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8 comentários sobre “Conheça um roteiro pela rota do vinho na Toscana”

  1. Estivemos recentemente em Florença e fizemos percurso de trem para Siena, na próxima iremos de carro, parabéns pela matéria, faltou informar qual Km de Florença e Siena ??? obrigado.

  2. A Toscana é a “roça”, mais linda do mundo.
    Esse roteiro pelas estradas, vilas, castelos e viniculas, tive o privilégio de conhecer, inclusive o mais interessante é você abastecer um cartão com créditos, então você se serve nas máquinas instaladas nas viniculas e degusta os vinhos, a vontade., saboreando salames, queijos presuntos, etc., no final da tarde você com certeza estará falando italiano fluentemente.

  3. Desejo fazer uma viagem com minha esposa em 2015 , gostaria de saber qual melhor época e se algumas dicas de hotel .Quero conhecer todas ruelas , villas , castelos e principalmentes adegas,
    obrigado