11 dicas valiosas de lugares para desbravar na região de Cusco

Por Arthur Seixas

22 dez, 2017

É claro que se você pensa em ir a Cusco, com certeza Machu Picchu está no seu roteiro de viagem. Apesar de ser o cartão-postal do Peru, esse é somente um dos passeios que Cusco tem a oferecer para você. Não é à toa que essa é a parte mais turística do território peruano, pois reúne uma enorme gama de possibilidades. Vamos a elas!

01. As salinas de Maras

Ao longe, de cima, parece uma cidadela de pequenos terrenos retangulares e irregulares dispostos sobre o relevo montanhoso dos Andes. De perto, pequenas poças de água em tons terrosos. Juntas parecem formar um grande lago infinito de células a se perder no horizonte. Desde a época dos Incas, Maras funciona como um reservatório de evaporação de sal. Além de ser a principal atividade dos moradores da região, também atua em forma de turismo consciente. Ao pagar entrada para as salinas, o visitante está ajudando a cooperativa dos trabalhadores, ou seja, contribuindo diretamente para o sustento das humildes famílias locais.

Cusco - Peru
Células de sal: canteiros de evaporação da água nas salinas de Maras | Arthur Seixas
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Sob o relevo da montanha: a vista de cima das salinas de Maras | Arthur Seixas

 

02. O vilarejo de Maras

Muitos seguem direto ao destino final sem prestar atenção nas pequenas joias preciosas que o caminho revela de forma sutil. Portanto, eis um grande conselho: ao entrar no carro, fique atento, olhe com cuidado para fora, permita-se sorver a viagem. Ao seguir para as Salinas de Maras, você passará pelo vilarejo onde seus trabalhadores habitam. É um cantinho humilde, daqueles que o povo costuma dizer “onde Judas perdeu as botas”… A beleza do mundo, muitas vezes, está na simplicidade que poucos conseguem enxergar. A vila de Maras é composta de casas de pau-a-pique, com aquela igrejinha singela no meio de uma pequena praça. Semi-deserta, por aqui quase não se vê gente. Por vezes, o que se vê são carros que cruzam a vila rumo às salinas. Sim, o lugar é muito simples, nem por isso deixa de ser imensamente belo.

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A igrejinha do povoado de Maras: simplicidade e beleza | Arthur Seixas
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Moradora local caminha pela calçada do humilde vilarejo | Arthur Seixas

 

03. Moray

Todos estudamos na escola que os Incas eram uma das civilizações pré-colombianas mais avançadas na época em que os espanhóis chegaram na América. Em Moray você entende o porquê. Este é um sítio arqueológico de agricultura experimental de plantio. Trata-se de um sistema de depressões circulares que, por estar encravado na terra em diferentes níveis, possibilita maior controle de quantidade de água e temperatura necessárias para os diferentes tipos de plantas que não eram naturais da região, como a coca. O círculo mais largo – e mais impressionante – possui 30 metros de profundidade. Sua beleza e engenhosidade são de tirar o chapéu!

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O círculo principal de Moray, que atinge 30 metros de profundidade | Arthur Seixas
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O grafismo das linhas e curvas de Moray | Arthur Seixas

04. O sítio arqueológico de Ollantaytambo

Também conhecida como a fortaleza dos Incas, o sítio arqueológico de Ollantaytambo, na verdade, era uma cidade que tinha diversas fins, mas funcionava, sobretudo, como um poderoso entreposto administrativo e militar. Foi construída estrategicamente com intuito de dominar o Vale Sagrado. Era uma espécie de alojamento, que abrigava aqueles que tinham por objetivo comunicar ao Império Inca possíveis perigos de tribos rivais. Por conta disso, tem escadarias monumentais – certamente impactantes aos olhos -, que levam a altos terraços onde guardas ficavam em vigilância.

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Escadas escavadas nas montanhas do sítio arqueológico de Ollantaytambo | Arthur Seixas
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As ruínas do que um dia foi um grande centro administrativo e militar do Império Inca | Arthur Seixas

 

05. Ollantaytambo

Essa vila pequenina, muitas vezes, só é lembrada como ponto de acesso para Machu Picchu. Este é um dos locais onde se pode pegar o trem para subir até a estação ferroviária de Águas Calientes. A grande maioria não sabe que esta é a única cidade da época dos Incas que ainda é habitada. Aventure-se pelas estreitas e labirínticas ruas de pedra, onde você poderá ver moradores tecendo roupas ou mesmo andando bem despreocupados com seus trajes coloridos, típicos da cultura peruana.

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Criança de traje peruano típico pelas estreitas ruas de pedra de Ollantaytambo | Arthur Seixas
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Tecelã produz sua arte em plena rua | Arthur Seixas

 

06. Machu Picchu

O ponto alto da viagem de qualquer um que pretende conhecer o Peru. Umas das Sete Maravilhas do Mundo Moderno, Machu Picchu é tudo e mais um pouco do que você já ouviu falar. Encravada no meio dos Andes, ao pé da Montanha de Wayna Picchu, que se ergue imponente na paisagem, o sítio arqueológico salta aos olhos e, sim, emociona. Não tem como! Graças à difícil localização que a manteve a salvo da colonização espanhola até 1911, está incrivelmente bem conservada. As casas de pedra estão quase intactas, somente sem o teto de palha, que, obviamente, é perecível ao tempo. Para esotéricos ou simplesmente admiradores da natureza, a energia desse lugar irradia e deixa marcas eternas na memória.

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A impressionante vista da cidade inca encravada nas montanhas | Arthur Seixas
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Lhama caminha solta pelo sitio arqueológico de Machu Picchu | Arthur Seixas

 

07. Qorikancha

O que se vê atualmente é um lindo prédio de estilo medieval, com átrio quadrado interior e arcos mouros ao seu redor. O Convento Santo Domingo foi erguido por cima de Qorikancha, o principal templo do Império Inca, considerada a sua capital. Daqui saíam caminhos e ramificações para as diversas localidades, que agora fazem parte do território de países como Argentina, Chile, Bolívia e Equador. Parte da sua base foi aproveitada para a construção da obra católica. Assim, hoje, ainda é possível ver no seu entorno, cômodos levantados com pedras de perfeito encaixe, bem ao estilo inca. Esse é claramente o símbolo maior de dominação espanhola e um verdadeiro mergulho nessa história tão violenta de luta pelo poder.

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Os arcos e colunas do Convento Santo Domingo, antigo Qorikancha | Arthur Seixas
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Poder e dominação: convento católico erguido sobre principal templo do Império Inca | Arthur Seixas

 

08. Sacsayhuaman

Esse é mais um dos pontos que foram devastados com a chegada dos espanhóis. Embora hoje só reste cerca de 20% do que um dia foi Sacsayhuaman no Império Inca, esse sítio arqueológico impressiona. Particularmente, chama a atenção pelos pedregulhos gigantes que podem ser vistos em meio às ruínas e que ainda hoje nos fazem perguntar como era possível transportar tamanho peso. Acredita-se que tinha como função principal a defesa contra invasores. Por isso, dizem historiadores que essa era zona de treinamento de guerreiros.

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Em verdes campos: alpaca posa em frente às ruínas de Sacsayhuaman | Arthur Seixas
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Pedra sobre pedra: acesso ao sítio arqueológico | Arthur Seixas

 

09. Plaza de Armas

Um enorme quadrilátero, a Plaza de Armas, pode ser considerada o coração de Cusco. Envolta por construções dos séculos XVI e XVII, com suas características sacadas de madeira, estar no seu centro é como respirar História – com H maiúsculo. A presença católica, obviamente, é marcante. Numa de suas laterais, está o Templo da Companhia de Jesus; em outra, a Basílica da Catedral de Cusco, da qual faz parte o Templo do Triunfo, simplesmente a primeira igreja erguida na América do Sul, em 1536.

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A Catedral de Cusco, ao fundo, com chafariz central da Plaza de Armas | Arthur Seixas
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Templo da Companhia de Jesus: herança da forte influência colonizadora católica | Arthur Seixas

 

10. O Mercado Municipal de San Pedro

Para quem se interessa por gastronomia – e nesse quesito o Peru definitivamente se destaca -, uma visita ao mercado municipal é sempre um presente ao paladar. Peixes frescos, frutas exóticas, temperos, aquela pimentinha especial… Sim, o Mercado de San Pedro tem tudo isso, mas tem também um profundo valor antropológico. Para aqueles turistas observadores, os arredores do mercado são um prato cheio. Aqui, com sensibilidade no olhar, se entende toda a cultura, hábitos e costumes. Isso aqui é Peru na veia! É a riqueza da singularidade de um país representada na vestimenta cheia de cores das mulheres de chapéu na cabeça, nas mães que carregam seus filhos na keperina, na pele vincada das senhoras que vendem legumes e flores nas calçadas. O retrato de um povo, cheio de poesia e caos.

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Senhora vende legumes e verduras na rua lateral do Marcado San Pedro | Arthur Seixas
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Mãe carrega filho na keperina, um dos costumes locais | Arthur Seixas

 

11. As ruelas de Cusco

Infelizmente as redes sociais popularizaram tanto a autora Clarice Lispector, que hoje já virou motivo de piada parafraseá-la. Talvez por ter tanta sabedoria, tenha se popularizado tanto. Pois, Clarice dizia: “Perder-se também é caminho”. E é justamente essa a recomendação. Perca-se pelas ruas de Cusco! Fuja das vias largas, que podem ser esmagadoras com tanta poluição sonora de veículos e visual de lojas, agências e casas de câmbio com seus letreiros luminosos e fios expostos. Procure as ruelas estreitas, longas, quase claustrofóbicas. Se forem por demais enclausurantes, olhe para a linha de céu acima da sua cabeça. Ao procurá-lo, você verá charmosos postes de luz. Decadentemente belas com suas paredes envelhecidas e descascadas de carregar tanta história, são um convite a se perder numa viagem interna. Aí, então, você irá encontrar a saída.

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“Perder-se também é caminho” pelas longas e estreitas ruas do centro de Cusco | Arthur Seixas
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Os antigos e charmosos postes de luz das ruelas de Cusco | Arthur Seixas

 

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Arthur Seixas é fotógrafo e jornalista especializado em viagens, turismo, paisagens e vida selvagem

 

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