Meu roteiro: Uma viagem inusitada pela Colômbia

Por Clarissa Jereissati

30 mar, 2017
Clarissa Jereissati
Colombia-Cartagena-cafe del Mar
Pôr do sol no Café Del Mar, em cartagena: imperdível

Escolher o destino das férias não foi fácil, a única certeza que tinha era a de que queria viajar pela América do Sul, já que havia decidido que 2016 seria o ano de explorar o continente. A dúvida era entre Peru e Atacama com Salar de Uyuni, mas em uma noite fria do inverno paulistano o desejo de praia falou mais alto – mudei tudo e decidi ir para Colômbia.

Comprei passagens, reservei hotéis e montei roteiros em uma noite: 12 dias misturando cidade grande, mar caribenho e história. De quebra ainda encontraria meus amigos colombianos que não via há sete anos, parecia perfeito!

 

Colombia - Bogotá
Mensagem no biscoito da sorte no primeiro dia da viagem

Minha primeira parada foi Bogotá, uma cidade de arquitetura lindíssima e muito verde. Desde os casarões coloniais ricos em detalhes da Candelaria, no centro, até os prédios residenciais de linhas retas, tijolos vermelhos e janelões que ocupam paredes inteiras, tudo encantava.

Fiquei hospedada na região conhecida como Zona T, no Hotel B3 – com ótimo custo-benefício e próximo a locais tem-que-ir, como a filial do restaurante Andrés Carne de Res.

No primeiro dia fiz um walking tour gratuito pelas ruas do centro, uma ótima maneira de ter uma visão macro da parte histórica da cidade. Choveu o dia inteiro. No segundo dia chuviscou e no terceiro, quando eu partiria para San Andrés, abriu um mega sol e fez um super calor, cheguei ao aeroporto suando em bicas. Começava aí a minha divertida aventura Colombiana.

Colombia - Bogota
Walking Tour em la Candelaria, no centro de Bogotá
Colombia - Bogotá
Encontro com amigos colombianos no Parque de la 93, em Bogotá

Uma das dicas de todo viajante que vai a San Andrés é pegar um lugar na janela para poder ter a visão do mar de sete cores que cerca a ilha do Caribe colombiano. Assim fiz, mas quanto mais o avião se aproximava de San Andrés mais o tempo fechava e a visibilidade ficava comprometida. 

 

Pouso com emoção

A turbulência na aterrissagem me rendeu um dos melhores vídeos da viagem: enquanto eu tentava filmar o pouco do que via do mar maravilhoso, as duas senhoras do meu lado, em pânico, gritavam em uníssono: “ai senhor, ai senhor, ai senhoooooooor”. 

Já no aeroporto, passei por um controle imigratório, por uma revista de corpo, peguei um taxi bem “meia boca” e fui para o albergue – que eu não recomendo, era caro para o que oferecia e ainda tive problemas na hora de pedir meu reembolso. O tempo estava nublado e ventava bastante, mas nada que parecesse anormal.

Quando estava fazendo o check-in, uma brasileira apareceu com uma cara alarmada para checar a informação de que um ciclone tropical passaria pela ilha naquela noite.

Fiquei preocupada, mas o recepcionista garantiu que não era nada além de uma brisa “mas fuerte” e que eu poderia sair para jantar sem problemas.

Depois de alguns contratempos, consegui jantar e voltei para o albergue. Durante a noite, o barulho do vento era tão forte que eu acordei sobressaltada várias vezes.

No dia seguinte descobri que todos os passeios ao redor da ilha estavam cancelados por conta do mau tempo e que não restava muito o que fazer por lá. Comecei a pensar em antecipar meu voo, mas antes disso resolvi conhecer o pouco do que era possível ver da ilha nessas condições.

 

24 horas em San Andrés

Em metade de um dia fiz tudo que podia ser feito: fui para Rock Cay, tomei banho de chuva na praia, voltei para o centro, almocei no ótimo La Regatta e fui para a praia Spratt Bight. Enquanto contemplava o mar – que estava lindo e com vários tons de azul – decidi que seguiria para Cartagena no dia seguinte.

Colombia-Praia-Spratt Bight - San Andres
O mar de sete cores de Spratt Bight, em San Andrés
colombia-san andres- Rock Cay
Rock Cay, em San Andrés: só faltou o céu azul

Ali mesmo na praia, entrei no site da companhia aérea para mudar minha passagem e aí veio o susto: todos os voos que eu havia visto pela manhã não estavam mais disponíveis e não havia mais nenhum voo para os dias seguintes.

Achei aquilo muito estranho. Pesquisei no Google e descobri que o ciclone tropical havia ganhado força, estava se transformando em um furacão e por isso todos os voos haviam sido cancelados a partir do dia seguinte, sem previsão de novas datas.

Tive um segundo de pânico pensando que eu estava sozinha em uma ilha, a espera de um furacão. Respirei e voltei para o site da companhia aérea. Os voos dos próximos dias estavam cancelados, mas havia um para aquele mesmo dia, e sim, era nele que eu ia embora. Não queria ficar para ver furacão nenhum.

Dei um último e delicioso mergulho no mar, uma volta na ilha, arrumei minhas coisas e fui para o aeroporto. Chovia bastante e o barulho do vento continuava assustador.

Tive sorte e, mesmo com vários voos atrasando, o meu saiu na hora e foi bem tranquilo, só um pouco mais longo para desviar da tempestade.

 

Rumo a Cartagena

Meu voo tinha conexão de oito horas em Bogotá, durante a madrugada. Fiquei no aeroporto dormindo pelos cantos até a hora do embarque para Cartagena. Foi tempo suficiente para eu perder passagens, carteira de motorista, seguro viagem, chave de casa e só perceber isso quando estava entrando no avião. Mas o que era isso na frente de ter conseguido fugir do furacão, né?

Não me abalei e cheguei feliz em Cartagena, feliz que tinha sol, feliz que tinha mar. Filmava tudo do taxi no percurso para o hotel, maravilhada com a cidade amuralhada, quando batemos em outro carro – um pequeno susto que rendeu mais um vídeo engraçado.

Nenhum amigo (com quem eu compartilhava em tempo real a minha aventura) conseguia mais acreditar nas coisas que aconteciam e todos aqueles que eu chamei para viajar comigo estavam gratos por não terem aceito o convite.

Playa Bralca - Cartagena - Colombia
Playa Blanca, em Cartagena: hora de relaxar
Cartagena - Colombia
Arquitetura colonial de Cartagena é considerada patrimônio da humanidade pela Unesco
Palanquera - Cartagena - Colombia
Palenquera: figura típica de Cartagena

Para quem achava que já tinha acontecido de tudo, eis que, no calor desumano de Cartagena, onde mesmo quem não gosta de ar condicionado, como eu, se rende a ele, um apagão tomou conta da cidade bem na hora de dormir.

Como era impossível ficar no quarto, resolvi sair. Mas as ruas estavam um breu e não achei seguro caminhar por elas sozinha. Me restou ficar na calçada do hotel por mais de duas horas até a luz voltar.

Os dias seguintes seguiram sem mais surpresas. Também fiz o walking tour gratuito (faço em toda cidade que vou pela primeira vez) e, como não consegui ter dias de sol e mar em San Andrés, fiz passeios para as praias próximas a Cartagena, Playa Blanca e Islas Rosario.

A cidade te transporta para outro mundo, os casarões coloridos fazem você querer parar a cada instante para tirar fotos. Não deixe de se perder pelas ruelas, de ver o pôr do sol no Café Del Mar e de aproveitar a gastronomia da cidade, que conta com bons restaurantes, como o La Vitrola.

 

De volta a Bogotá

Era meu último dia antes de voltar para o Brasil e o único ponto turístico que faltava visitar em Bogotá era o Cerro de Monserrate – uma montanha com mais de 3 mil metros de altitude, de onde se pode ter uma vista linda de toda a cidade.

Assim que cheguei lá começou uma missa. Por tudo o que havia acontecido nos últimos dias, decidi que era hora de fazer aquilo que meus amigos passaram a viagem mandando eu fazer: me benzer.

Assisti a missa e fui atrás de água benta, mas como nada nessa viagem parecia seguir uma lógica, não tinha água benta na igreja. E, para fechar com chave de ouro, quando voltava para o hotel o taxista bateu o carro. Sim, mais uma vez.

Cerro de Monserrate - Bogotá - Colombia
Vista do Cerro de Monserrate: Bogotá do alto

Meu saldo de Colômbia foi uma fuga de furacão, duas batidas de carro, um apagão e a conta do chaveiro para abrir a porta de casa – sem contar pormenores que iam deixar o texto mais longo do que já está. Para quem leu meu relato e ficou com uma má impressão do destino, eu preciso dizer que adorei a Colômbia. É um país sensacional, com riqueza cultural, belezas naturais e arquitetura incrível.

Da minha experiência eu ganhei histórias para contar durante a vida inteira.

 

Clarissa Jereissati acredita que é viajando que ela consegue unir todas as áreas de seu interesse. Especialista em marketing e comunicação de moda e arquiteta por formação, adora conhecer cidades e observar seus habitantes.   

 

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