Inhotim é arte e natureza além de Belo Horizonte

Por Clarissa Mattos

22 jan, 2015
CLARISSA MATTOS/BAILANDESA
A obra Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5, De Luxe, de Hélio Oiticica, se integra à paisagem | Clarissa Mattos/Bailandesa
A obra Invenção da cor, Penetrável Magic Square # 5, De Luxe, de Hélio Oiticica, se integra à paisagem

O Instituto Inhotim estava no topo da minha lista de lugares para conhecer no Brasil. E quer saber? Continua. O lugar promove um grandioso encontro entre a natureza e a arte contemporânea e saí de lá já pensando em voltar.

Localizado em Brumadinho, a 60 km de Belo Horizonte, o Inhotim põe o Brasil e Minas Gerais do mapa cultural do mundo. Com os seus 17 pavilhões, é o maior centro de arte contemporânea a céu aberto do mundo e seu jardim botânico foi projetado por ninguém menos que Burle Marx.

Detalhe do jardim botânico de Inhotim, projetado por Roberto Burle Marx
Detalhe do jardim botânico de Inhotim, projetado por Roberto Burle Marx | Clarissa Mattos/Bailandesa
O trabalho de paisagismo do Inhotim procura sensibilizar o público para a biodiversidade | Clarissa Mattos/Bailandesa
O trabalho de paisagismo do Inhotim procura sensibilizar o público para a biodiversidade | Clarissa Mattos/Bailandesa

Os números são exuberantes e certamente você vai precisar de mais de um dia para explorar os 100 hectares visitáveis do instituto. São mais de 334 espécies de orquídeas e 1500 de palmeiras. É simplesmente a maior reunião de espécies de plantas vivas dos jardins botânicos brasileiros. No entanto, apesar de superlativos, os números não conseguem traduzir o que senti quando estava lá.

Antes de conhecer, pensava em Inhotim como um imenso jardim botânico, salpicado de esculturas. Não tinha a menor ideia da sua dimensão. Sim, você anda por maravilhosos jardins e lagos, na companhia de pássaros, borboletas, capivaras. Também existem algumas esculturas espalhadas pelo parque. À medida em que você se perde pelas lindas rotas verdes, de repente você se depara com enormes pavilhões de arte, que abrigam o acervo principal.

PAVILHÃO DE ARTE GALERIA TRUE ROUGE DO ARTISTA TUNGA, EM INHOTIM | Clarissa Mattos/Bailandesa
PAVILHÃO DE ARTE GALERIA TRUE ROUGE DO ARTISTA TUNGA, EM INHOTIM | Clarissa Mattos/Bailandesa
Galeria da artista Adriana Varejão, em Inhotim | Clarissa Mattos/Bailandesa
Galeria da artista Adriana Varejão, em Inhotim | Clarissa Mattos/Bailandesa

Em cada um deles há monitores, que estão aptos dar informações sobre as obras. Use e abuse do serviço deles. Esses meninos e meninas são quase todos moradores de Brumadinho e redondezas. Quem me contou foi uma das monitoras. Enquanto me contava sobre a obra Continente/Nuvem, de Rivane Neuenschwander, eu viajava nas nuvens de bolinhas de isopor, que aleatoriamente se formavam num céu de forro transparente. A instalação foi criada na casa mais antiga da fazenda que antecedeu o parque de Inhotim.

Arte e natureza

Tenha certeza de uma coisa: você nunca sairá de um pavilhão da mesma forma que entrou. Nada está lá por acaso e a convivência entre a arte a natureza só potencializa o impacto. O sossego do verde contrasta com o incômodo ou curiosidade despertados pela arte. É um caleidoscópio de sentidos. Prepare-se para usar todos os seus.

A piscina de bolas metálicas no Jardim do Narciso, da obra de Yayoi Kusama, de 1966 | Clarissa Mattos/Bailandesa
A piscina de bolas metálicas no Jardim do Narciso, da obra de Yayoi Kusama, de 1966 | Clarissa Mattos/Bailandesa
Mural escultórico Abre a Porta, de 2006, de John Ahearn e Rigoberto Torres | Clarissa Mattos/Bailandesa
Mural escultórico Abre a Porta, de 2006, de John Ahearn e Rigoberto Torres | Clarissa Mattos/Bailandesa

Quase senti o cheiro das entranhas tão realistas que esvaíam das lindas paredes de azulejos do Pavilhão de Adriana Varejão. Como não querer tocar todos os objetos vermelhos da incrível casa encarnada da instalação Desvio para o Vermelho de Cildo Meireles? Fiquei literalmente tonta, ao sair do estromboscópico iglu do dinamarquês Oliafur Elisson. E não resisti ao Jardim do Narciso de Yayoi Kusama. Mas ainda havia tanto para ver e sentir e as horas escorregavam pelas minhas mãos.

Além de lindos e bem cuidados, os jardins de Inhotim são campos de estudos florísticos | Clarissa Mattos/Bailandesa
Além de lindos e bem cuidados, os jardins de Inhotim são campos de estudos florísticos | Clarissa Mattos/Bailandesa

Fiquei no Inhotim até os últimos minutos possíveis e na saída vi pelo menos sete ônibus lotados de funcionários. O nosso carro alugado era um dos últimos no estacionamento. No caminho de volta vi placas de pousadas e hotéis em construção por toda a parte. Brumadinho tem cerca de 34.000 habitantes e os sinais de mudanças são visíveis. Mas acho que quem sofre o maior impacto são os visitantes. As impressões me seguiram até BH e permanecem até hoje.

Clarissa Mattos é uma baiana que atravessou o Oceano Atlântico não a nado, mas por amor. No blog Bailandesa, narra as dores e delícias da vida na Holanda, dá dicas de turismo e de cultura

 

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